Rio Grande do Sul busca expandir matriz energética rural com biogás

Comitiva da Seapi participa de fórum especializado e estuda modelos de sucesso no Paraná para impulsionar o Plano ABC+ RS



O Rio Grande do Sul reforçou seu compromisso com a transição para uma agropecuária de baixo carbono ao participar, nesta semana, do 8º Fórum Sul Brasileiro de Biogás e Biometano, realizado em Foz do Iguaçu (PR). O evento, que debateu o tema “Biometano: bem feito, suficiente, bem distribuído”, serviu como base para a comitiva técnica da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi) alinhar inovações tecnológicas às políticas estaduais de sustentabilidade.

Representando a Seapi, as pesquisadoras Juliana Fernandes Gomes e Tatiane Branco (DDPA), acompanhadas pelas servidoras Gabriela Maura Cavagni e Mônica Glowastzki Pinheiro (DDA), buscaram conectar o conhecimento técnico adquirido no evento com as metas do Plano Estadual de Agricultura de Baixa Emissão de Carbono (Plano ABC+ RS).

Segundo Juliana Fernandes Gomes, o biogás é uma peça-chave nesta estratégia. “O aproveitamento do biogás é uma das tecnologias fundamentais do Plano ABC+ RS. Ao implementarmos sistemas de biodigestão, transformamos o que seria um passivo ambiental em um ativo energético e econômico. O tratamento de efluentes permite converter o metano em energia limpa e biofertilizante, consolidando uma agropecuária regenerativa e garantindo competitividade ao produtor gaúcho”, afirmou a pesquisadora.

Além das discussões teóricas, a comitiva gaúcha realizou visitas técnicas na região oeste do Paraná, estado que é referência nacional no setor. O grupo acompanhou de perto a operação de biodigestores em larga escala em granjas de suinocultura, além de conhecer a Unidade de Demonstração de Biogás e Biometano da Itaipu Binacional, um centro de referência em pesquisa de biocombustíveis voltados para a mobilidade.

O setor produtivo vê com otimismo a possível expansão desse modelo. Luciano Cremonese, engenheiro agrônomo e representante do Sindicato das Indústrias de Produtos Suínos do Rio Grande do Sul (SIPS-RS), enfatizou a importância da colaboração entre poder público e iniciativa privada. “Para a suinocultura gaúcha, o biogás representa um salto em eficiência e sustentabilidade. Eventos como este são essenciais para discutirmos a viabilidade econômica dessas plantas e como a transformação de resíduos em ativos pode gerar uma nova receita para o produtor”, pontuou Cremonese.

Os números do setor indicam que o Rio Grande do Sul tem um vasto terreno para avançar. Atualmente, o Brasil contabiliza 1.633 plantas de biogás. O Paraná lidera com 490 unidades, seguido por Santa Catarina, com 130. O território gaúcho conta hoje com 81 plantas operantes, evidenciando uma oportunidade estratégica para investimentos voltados à economia circular no campo.

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