O número de mortes de crianças menores de cinco anos no mundo segue em trajetória de queda nas últimas décadas, mas o ritmo dessa redução tem diminuído, acendendo um sinal de alerta global. É o que revela o relatório Levels and Trends in Child Mortality 2025, divulgado pelo UNICEF em parceria com outras agências internacionais.
De acordo com o estudo, cerca de 4,8 milhões de crianças morreram antes de completar cinco anos em 2023 — o equivalente a aproximadamente 13,1 mil mortes por dia. As principais causas seguem sendo doenças evitáveis e tratáveis, como pneumonia, diarreia e malária, além de complicações ligadas ao nascimento prematuro.
Apesar do avanço significativo registrado entre 2000 e 2015, o relatório aponta que a redução perdeu força nos últimos anos. Em 2024, o total de մահtes infantis chegou a cerca de 4,9 milhões, indicando um cenário de estagnação no progresso global.
As desigualdades regionais continuam sendo um dos principais desafios. Regiões como a África Subsaariana e o Sul da Ásia concentram a maior parte dos óbitos, reflexo das dificuldades no acesso a serviços básicos de saúde, saneamento e nutrição.
O relatório também destaca fatores estruturais que ameaçam os avanços conquistados, como conflitos armados, crises econômicas, impactos das mudanças climáticas e a redução de investimentos internacionais em saúde. Cortes recentes no financiamento global têm afetado diretamente programas essenciais, como vacinação, nutrição e atendimento neonatal.
A desnutrição aparece como um dos principais agravantes, contribuindo para grande parte das mortes infantis. Entre os recém-nascidos, quase metade dos óbitos ocorre no primeiro mês de vida, evidenciando falhas na assistência pré-natal e no momento do parto.
As projeções são consideradas preocupantes: caso não haja aceleração nas políticas públicas e no financiamento internacional, cerca de 27 milhões de crianças podem morrer até 2030 por causas evitáveis.
Diante desse cenário, o UNICEF reforça a necessidade de ampliar o acesso a cuidados básicos de saúde, fortalecer os sistemas sanitários e retomar investimentos em programas de proteção à infância. Segundo o organismo, medidas de baixo custo — como vacinação, alimentação adequada e assistência ao parto — ainda têm potencial para salvar milhões de vidas nos próximos anos.





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