O Parque Estadual da Lagoa do Açu recebeu, no último sábado (25), a visita de cientistas nacionais e internacionais interessados no potencial da área para observação astronômica. Administrado pelo Instituto Estadual do Ambiente, o parque pode se tornar um futuro ponto reconhecido mundialmente como “Dark Sky Park”, certificação concedida a locais com céu noturno de alta qualidade.
Participaram da visita o cientista Scott Roberts, o especialista Fernando Fabbiani e o físico Marcelo de Oliveira Souza. O grupo realizou uma observação noturna na Praia do Farolzinho, um dos principais atrativos da unidade de conservação.
A localização geográfica do parque, em uma área de planície e com baixa interferência de luz artificial, permite uma ampla visão do horizonte. Essa característica possibilita fenômenos raros, como a visualização simultânea das constelações Órion e Escorpião, situadas em regiões opostas do céu.
Segundo o gestor da unidade, Samir Mansur, o controle rigoroso da iluminação é essencial para manter essas condições. A restrição de luz artificial também contribui para a preservação ambiental, já que a região é área de desova de tartarugas marinhas, que dependem da escuridão natural para seu ciclo reprodutivo.
Para especialistas, o parque reúne condições ideais para buscar certificação internacional. De acordo com Fernando Fabbiani, a qualidade do céu noturno, aliada à preservação ambiental, torna o local relevante não apenas para a ciência, mas também para o turismo sustentável.
A visita dos pesquisadores ocorreu durante a realização do Encontro Internacional de Astronomia e Astronáutica, promovido pelo Clube de Astronomia Louis Cruls, que reuniu especialistas e entusiastas da área na região.
Além de favorecer a observação de estrelas e planetas, a baixa poluição luminosa é fundamental para o equilíbrio dos ecossistemas. O excesso de luz artificial pode interferir no comportamento de animais, afetando processos como reprodução, migração e polinização.
Com essas características, o Parque Estadual da Lagoa do Açu se consolida como um importante espaço de conservação ambiental e, ao mesmo tempo, como um potencial destino para o turismo científico e a observação do céu no Brasil.





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