Guerra civil explode no Sudão após disputa de poder entre generais rivais

Confrontos entre o Exército e as Forças de Apoio Rápido deixaram centenas de mortos e mergulharam o país em caos no dia 15 de abril de 2023



O Sudão amanheceu em guerra. Nas primeiras horas do sábado, 15 de abril, confrontos violentos tomaram conta da capital, Cartum, e se espalharam rapidamente por outras cidades do país. O embate colocou frente a frente o Exército sudanês, liderado pelo general Abdel Fattah al-Burhan, e as Forças de Apoio Rápido (RSF), comandadas por Mohamed Hamdan Dagalo, conhecido como Hemedti, apelidado por seus aliados de “o sultão do deserto”.

O conflito teve início após semanas de tensão entre os dois grupos, que divergiam sobre a transição política prometida após o golpe militar de 2021. De acordo com relatos locais, as RSF atacaram bases estratégicas do Exército, inclusive o quartel-general e o aeroporto internacional de Cartum, desencadeando uma onda de violência sem precedentes.

Hospitais foram atingidos, aviões destruídos em solo e civis ficaram presos em meio aos combates. O Ministério da Saúde relatou, nos dias seguintes, mais de 400 mortos e milhares de feridos — números que cresceram rapidamente com o avanço dos confrontos.

A comunidade internacional reagiu com preocupação. As Nações Unidas, os Estados Unidos e a União Africana pediram cessar-fogo imediato, mas as tréguas anunciadas fracassaram nas horas seguintes.

Linha do tempo do conflito (15 de abril de 2023)

  • 6h (horário local): explosões e tiros são ouvidos próximos ao aeroporto internacional de Cartum.
  • 8h: as Forças de Apoio Rápido afirmam ter tomado o controle do palácio presidencial e do aeroporto.
  • 10h: o Exército do Sudão reage com ataques aéreos sobre posições das RSF na capital.
  • 13h: civis começam a se refugiar em casas e mesquitas; voos são cancelados.
  • 16h: a ONU anuncia a suspensão de suas atividades no país.
  • Noite: os combates se estendem para as cidades de Meroe e Nyala, marcando o início de uma guerra civil aberta.

Contexto

O Sudão vive uma instabilidade política desde a queda do ditador Omar al-Bashir, em 2019. A promessa de transição para um governo civil foi interrompida por sucessivos golpes e disputas internas. A rivalidade entre Burhan e Hemedti — ambos antigos aliados — acabou mergulhando o país em uma nova era de violência e incerteza.

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