Japão retoma operação de reator nuclear após 14 anos desde desastre de Fukushima

Unidade da usina Kashiwazaki-Kariwa entra em operação comercial mesmo após atrasos e incidentes técnicos



O Japão deu mais um passo na retomada de sua matriz nuclear ao iniciar a operação comercial de um reator da Tokyo Electric Power Company Holdings, quase duas semanas após o prazo inicialmente previsto.

A ativação da unidade 6 da usina Kashiwazaki-Kariwa nuclear power plant marca a primeira vez, em 14 anos, que um reator operado pela companhia entra em funcionamento comercial. A empresa ainda lida com os impactos do acidente na Fukushima Daiichi nuclear power plant, atingida por um terremoto e tsunami em 2011.

A liberação para operação foi concedida pela Nuclear Regulation Authority após a unidade passar por rigorosas verificações de segurança. O movimento faz parte de uma estratégia do governo japonês para reduzir custos com combustíveis fósseis e garantir maior estabilidade no fornecimento de energia.

Com capacidade máxima de mais de 8 milhões de quilowatts, a usina é uma das maiores do mundo e considerada essencial para diminuir a dependência de usinas térmicas, que encarecem a geração de energia.

Apesar do avanço, a retomada não ocorreu sem contratempos. O cronograma inicial previa o início das operações comerciais em fevereiro, mas foi adiado duas vezes após alarmes técnicos durante testes. Em um dos episódios, um alerta foi acionado durante o manuseio de barras de controle, levando à paralisação temporária do reator. Em outro caso, um possível vazamento elétrico foi investigado, mas posteriormente atribuído a uma peça danificada, sem risco efetivo.

Mesmo com mais de uma década desde o desastre nuclear que abalou a confiança da população, o Japão vem gradualmente reativando seus reatores que atendem às novas exigências de segurança. A medida também integra a política nacional de redução de emissões de carbono e busca por fontes energéticas mais estáveis.

A retomada da energia nuclear no país, no entanto, ainda divide opiniões, especialmente entre setores que mantêm preocupações sobre segurança e impactos ambientais.

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