O Comitê Olímpico Internacional anunciou nesta quinta-feira (26) uma nova política de elegibilidade que restringe a participação nas categorias femininas dos Jogos Olímpicos. A medida passa a valer a partir de Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028 e estabelece como critério central a presença ou ausência do gene SRY, localizado no cromossomo Y.
De acordo com a diretriz, atletas que apresentarem resultado positivo para o gene não poderão competir na categoria feminina. O exame será realizado uma única vez, utilizando amostras como saliva, sangue ou swab bucal. O COI afirma que o método é preciso e menos invasivo para a verificação do sexo biológico no alto rendimento.
A nova regra impacta diretamente mulheres trans e atletas com diferenças no desenvolvimento sexual (DSD). Apesar disso, o documento prevê exceções, como em casos de Síndrome de Insensibilidade Completa aos Andrógenos (CAIS), desde que não haja vantagens associadas à testosterona — embora o gene SRY permaneça como fator determinante na maioria das modalidades.
A decisão ocorre após anos de debate dentro do movimento olímpico e segue uma tendência já adotada por federações internacionais. A World Athletics, por exemplo, implementou restrições semelhantes após casos como o da atleta sul-africana Caster Semenya.
Outro episódio recente citado no debate envolve a boxeadora argelina Imane Khelif, que enfrentou questionamentos sobre elegibilidade em competições internacionais, apesar de ser reconhecida como mulher intersexo.
Segundo o COI, a política busca “proteger a justiça, a segurança e a integridade na categoria feminina”. A entidade também optou por estabelecer uma regra unificada, substituindo o modelo anterior, no qual cada federação internacional definia seus próprios critérios.
Apesar da mudança, não há registros confirmados de participação de mulheres trans nos Jogos Olímpicos de Paris 2024. Ainda assim, o tema ganhou relevância nos últimos ciclos olímpicos e deve continuar gerando repercussão entre atletas, entidades esportivas e especialistas em direitos e ciência do esporte.
Veja o video abaixo da Presidente do COI, Kirsty Coventry (coloque legenda em Português do Brasil)





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