A Organização Mundial da Saúde (OMS) confirmou a identificação de uma nova cepa recombinante do vírus da mpox (antiga varíola dos macacos), formada a partir da mistura genética dos clados Ib e IIb. Os primeiros casos foram detectados no Reino Unido e na Índia, envolvendo viajantes internacionais, e levantaram alerta para a vigilância global, embora o risco geral à saúde pública permaneça inalterado.
Segundo a OMS, a recombinação viral ocorre quando duas variantes relacionadas infectam a mesma pessoa e trocam material genético, dando origem a um novo vírus. Nos dois casos documentados, os pacientes apresentaram sintomas semelhantes aos já observados em outras cepas da mpox, sem evolução para quadros graves. Também não foram registrados casos secundários após rastreamento de contatos.
O primeiro caso foi identificado no Reino Unido, em um viajante que retornou da região Ásia-Pacífico. Já o segundo foi detectado na Índia, em um homem que havia viajado para um país da Península Arábica. A análise genômica revelou que ambos foram infectados pela mesma cepa recombinante, com mais de 99,9% de similaridade genética, indicando que o vírus pode estar circulando em mais países do que o oficialmente registrado.
A mpox é causada por um vírus do gênero Orthopoxvirus, o mesmo da varíola humana, e se transmite principalmente por contato físico próximo, incluindo contato sexual, além de objetos contaminados e, em casos raros, por via respiratória. Os sintomas incluem febre, inchaço dos gânglios linfáticos e lesões na pele ou mucosas.
A OMS mantém o nível de risco moderado para populações-chave, como homens que fazem sexo com homens com múltiplos parceiros e profissionais do sexo, e baixo para a população em geral sem fatores de risco específicos. A entidade reforça a importância da vigilância epidemiológica, do sequenciamento genômico e da vacinação para grupos vulneráveis.
Entre as recomendações estão o fortalecimento da testagem, rastreamento de contatos, controle de infecções em serviços de saúde e a integração do atendimento com serviços de HIV e outras infecções sexualmente transmissíveis. A organização também afirma que não há necessidade de restrições de viagens ou comércio relacionadas aos países onde os casos foram detectados.
A OMS alerta que, apesar do número reduzido de casos, a possibilidade de circulação mais ampla da nova cepa não pode ser descartada e que o monitoramento contínuo é essencial para compreender a transmissibilidade e o impacto clínico da variante recombinante.





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